A beleza, as espinhas e os hormônios que comandam o espetáculo
Se existe uma coisa que aprendi convivendo com meu próprio corpo é que os hormônios são roteiristas criativos.
Muito criativos.
Tem dias em que você acorda se sentindo uma verdadeira deusa. O cabelo coopera. A pele brilha. O olhar parece mais vivo. A autoestima aparece sem esforço. Você passa pelo espelho e pensa:
"Olha só... quem é essa mulher?"
É quase uma versão cinematográfica de nós mesmas.
Mas os hormônios gostam de emoção.
Porque poucos dias depois, sem qualquer aviso prévio, surge ela.
A espinha.
Não uma espinha discreta e educada.
Uma espinha estratégica.
Daquelas que escolhem exatamente o centro do rosto para se manifestar.
E ela aparece acompanhada de amigas.
Porque aparentemente nenhuma delas gosta de ficar sozinha.
É curioso como o mesmo organismo capaz de nos dar aquela pele iluminada também consegue produzir uma pequena cadeia de montanhas na região do queixo em questão de horas.
E nós observamos tudo isso tentando manter a compostura.
A retenção de líquido chega.
As roupas mudam de comportamento.
O humor fica mais sensível.
A ansiedade faz visitas inesperadas.
As espinhas aparecem.
E ainda assim esperamos de nós mesmas a mesma performance, a mesma produtividade e a mesma disposição de todos os outros dias.
Como se nada estivesse acontecendo.
Mas está.
Existe uma dança hormonal acontecendo o tempo inteiro.
Uma coreografia silenciosa que influencia nossa energia, nosso sono, nossa fome, nossa pele, nosso humor e até a forma como enxergamos a nós mesmas.
O mais injusto é que, às vezes, olhamos uma foto antiga e pensamos:
"Nossa, eu estava tão bonita ali."
Quando, naquele dia da foto, provavelmente estávamos reclamando da barriga, da espinha, do cabelo ou de qualquer outro detalhe que ninguém além de nós percebia.
Porque mulheres têm esse talento estranho de enxergar defeitos com uma precisão científica.
Mas talvez a beleza esteja justamente nisso.
Na mulher que floresce.
Na mulher que descansa.
Na mulher que se sente linda.
Na mulher que acorda inchada.
Na mulher da pele perfeita.
Na mulher que está lutando contra uma invasão hormonal no queixo.
Porque nenhuma dessas versões é menos mulher.
Nenhuma delas é menos bonita.
São apenas capítulos diferentes da mesma história.
Uma história escrita por ciclos.
E talvez a maior maturidade seja entender que nem toda fase foi feita para florescer.
Algumas foram feitas para recolher.
Outras para recomeçar.
E todas elas, até aquelas acompanhadas de espinhas inesperadas e uma vontade irracional de comer chocolate às dez da manhã, fazem parte da beleza extraordinária de ser mulher.
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