quarta-feira, 4 de abril de 2012

Jardim da vida


A vida humana pode ser comparada a uma rosa no jardim do mundo. O bebê é o botão que desabrocha, delicadamente.

Na medida em que vai se abrindo, vai descobrindo e se extasiando com o rocio do orvalho na madrugada de luz, o brilho do cristal ao toque do sol nas primeiras horas da manhã, o calor do astro rei na tarde quente.

Quanto mais se abre para a vida, mais descobertas realiza. Corajosa, a criança não lê obstáculos nas linhas da vida.
 Tudo ela tenta, experimenta, apalpa e sente. Confiante, ela estende os braços a quem lhe oferece o colo.
 Perseverante, ela insiste nas tentativas sem se considerar derrotada pela latinha que não abre, o brinquedo que não roda, o boneco que teima em não ficar de pé.
 Nenhum obstáculo a detém: uma escadaria que parece não ter fim, uma porta fechada, um portão trancado.
 Estranhamente, à proporção que cresce, parece se esquecer desse seu lado brilhante.
 Nos primeiros anos escolares, pode se mostrar fechada às novidades e até apresentar baixo aproveitamento escolar.
 Mais tarde, já madura, exatamente como o botão totalmente aberto, os bloqueios se fazem maiores. Os percalços são considerados intransponíveis.
 Enquanto envelhece gradativamente, mais entraves se coloca: minha memória não é boa. Esqueço tudo. Estou ficando velho. Deixa de cogitar de aprender algo novo. Exatamente no período em que, de um modo geral, passa a ter um tanto mais de tempo livre.

A aposentadoria chegou, os filhos se casam, as obrigações decrescem em número. Tudo o que se pensa em ter durante os anos da juventude, da madureza, agora se encontra à disposição: mais tempo.
No entanto, esse tempo é gasto em ociosidade. E se há algo que realmente faz a pessoa envelhecer é a ociosidade, a inatividade, o não fazer nada.

Enquanto a rosa no jardim vai perdendo o viço, murchando e despetalando, o homem se permite também fenecer.  Mas tudo pode ser diferente. Nunca é tarde para aprender. Envelhecimento nada tem a ver com perda de memória.

A não ser que a pessoa seja portadora de alguma enfermidade, que prejudique as funções mentais, as intelectuais, sempre é tempo de aprender. 
Absorver sabedoria dos livros, aprender a tocar um instrumento, exercitar-se numa nova língua. Tudo aquilo que não se teve tempo ou possibilidade de
 fazer antes, eis uma chance maravilhosa.Oscar Niemeyer, conhecido arquiteto brasileiro, quando alguém lhe perguntou certa vez sobre o que acharia da velhice, afirmou: "não vejo problema algum com minha idade. Nasci em 1907. Desde cedo dediquei-me a ver a poesia que vibra nas curvas das imagens, e não apenas nas linhas retas e tensas.
 Prossegui com afinco e dedicação, em busca de meu crescimento e hoje, com mais de 90 anos, posso afirmar que sou uma pessoa feliz.
 Ajudei as pessoas o quanto pude e aprendi a contemplar a natureza, de modo que todas essas coisas somadas, e muitas outras mais, me trazem a convicção da serenidade." Um conhecido locutor da televisão afirmou recentemente, aos 70 anos de idade: "tenho um projeto ainda a realizar antes de morrer. Esse projeto deverá levar 14 anos para a sua concretização. É um projeto ousado, em que estarei utilizando a minha voz, que hoje se encontra mais encorpada, mais sonora do que jamais o foi. Eu espero que o bom Pai não me leve antes. Eu desejo concluir esse projeto antes de partir."
 Isto é velhice abençoada. Isto é não murchar, embora o tempo já tenha desenhado seu mapa nas faces de quem ainda sabe sorrir para a vida, a cada amanhecer.

 E você sabia que envelhecer com dignidade é ter sempre em mente um projeto de vida para o dia que ainda não nasceu?



Momento Reflexão

sábado, 31 de março de 2012

Sus ojos, mis ojos


Então ela disse: “quer trocar seus olhos com os meus?”

Simplesmente há coisas que queria vê-lo fazendo. Tudo bem que poderia até estar sendo injusta comigo. Mas há vezes que penso que talvez ele fosse mais feliz se pudesse ver melhor. É claro que esta percepção ele perdera aos poucos, mas antes havia coisas que ele não pudera fazer, e agora, agora ele pode. Mas não deve. Não deve porque não consegue. Simplesmente porque não há mais perfeição em seus olhos. Em sua visão.
Fico às vezes pensando em como seria bom pra ele fazer o que sempre quis, puder dirigir, puder ir além de seus limites. Eu sei que não vi o bastante como ele já vira, mas poderia suportar tudo que ele vive agora, só para vê-lo em minha frente e feliz com uma nova visão. Porque sei também que a mais linda visão não é aquela visível aos olhos. E sim, aquelas as quais muitas vezes não podemos enxergar.
Conheço os sonhos do meu pai, sei que ele crê que um dia pode ter sua visão de volta. Perfeita, sem manchas em raio-X, sem que possua impossibilidade de puder enxergar as coisas ao redor. Sem exames anuais para ver se houve agravamentos.
Só queria que ele pudesse tê-la de volta.
Quando eu perguntei se ele queria meus olhos, vi em seu semblante, um olhar que nunca...
Ah, foi como se nada pedisse. E então ele só sorriu. Mas foi um sorriso que não lembro bem, mas talvez o sorriso que dera quando pronunciei pela primeira vez: “papai”.
Fiquei sem chão. Sem ar. Sem sentido. Só queria dar-lhe um abraço. Senti um conforto tão imenso e tão bom.

Ele acredita em milagres. Eu também creio. E a prece, no mais íntimo dele é: “Deus Meu, dá-me forças para acreditar no milagre. Todos os dias, cada vez mais.” (A minha também).

quinta-feira, 22 de março de 2012

Perto de Deus




Você já parou para admirar o incrível e interminável trabalho de uma simples formiga?

Você já parou espantado e tentou compreender a beleza admirável de uma casa de abelhas?
Você já parou e procurou acompanhar a extraordinária velocidade e maravilha que é um vôo de um beija-flor?
Você já parou, sentado no chão, e ofereceu suas mãos para seu cão lamber?
Você já parou e sentiu o perfume humilde das flores?
Você já parou e se dispôs mansamente a escutar o barulho eterno das ondas do mar?
Você já parou e sentiu em seus lábios o mesmo sorriso que você viu naquela criança?
Você já parou e sentiu derramar em seu rosto as mesmas lagrimas que você viu descerem tristes pela face enrugada daquele pobre velhinho?

Se você já sentiu tudo isso, se você conseguiu compreender e observar tudo isso, com certeza você chegou bem perto de Deus.



terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Desistir? Never!



É. Talvez o que sonhamos e desejamos possa ser o que mais nos preocupa.
Não diria que fora uma derrota, assim como me disse um amigo, “perdestes a batalha e não a guerra”. A tristeza veio, sim porque faz parte e também necessário, ela entra e te corrói; Porque foram anos de dedicação e de pensamentos soltos e livres dentro de uma mente que só pensava em uma coisa: não decepcionar-se.
Hoje noto e compreendo que não adianta pensar deste modo, porque a seqüela não será tão dura assim, quando temos em mente a consciência de que nada é em vão, nada fora em vão. E principalmente quando temos ao nosso derredor pessoas que te apóia e está sempre com você, não importa o que aconteça. Não implico tanto assim com minhas escolhas, porque elas foram as que mais sonhei; não quero estar infeliz agora pelo que acontecera.
A guerra ainda não acaba assim, além do mais, o que somos e fizemos o que seremos e faremos será  implicação de nossos atos, a confiança e a fé. De cabeça sempre erguida e os pés no chão - voltarei a sonhar mais uma vez e com a certeza de que sempre, mas sempre nunca estou só.
Afinal, atrás das nuvens há sempre um céu azul.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

“ É só você olhar no meu olhar... (8)”

"Olhai os lírios do campo, que não fiam nem tecem" (Jesus Cristo)

Sabe quando falta uma palavra para definir o que sentimos? Sabe quando o que você sente é tão grande, tão inusitado, que não há força em nenhuma poesia ou palavreado. E essa palavra que falta que se cala na garganta, só pode ser expressa pelos sentimentos, falar não adianta. Quem sabe com o brilho desse olhar. As palavras mentem, mas o olhar jamais…
O falar deve ser reservado para expressar alegria, para aquele bate papo gostoso com as pessoas queridas, o falar é a expressão do que vai ao seu intimo, por isso, deve ser estudado, pois aquilo que é falado, não pode ser apagado. Sem procurar uma lembrança de qualquer coisa que nos tenha falado, logo aparecerão muitas e muitas dessas lembranças. Sim, porque tudo está guardado em nossas memórias. Mas o olhar ele pode ser acionado a qualquer momento, seja um olhar triste, de alegria, de espanto, de plena felicidade, ou ainda um olhar de espera.
Há uma frase que diz: “as mais belas frases de amor, são ditas no silêncio de um olhar”. É quase meio romântico dizer assim, ou é demais! Mas parece que o sentido do olhar foi perdido. Prefiro acreditar que não fora.
Não é ilusão nossa dizer que os olhares podem voltar a ser o foco de uma lembrança, porque haverá sempre um olhar a seu lado. Seja um olhar amável ou não. E deveremos, portanto, ser capazes de identificá-lo. Porque podemos salvar o dia de uma pessoa com um simples olhar que jamais poderá apagar-se.