Todo dia, indagada sobre o que quero propagar no mundo, escolho propagar o amor, a beleza, o bom humor, as imensas coisas pequeninas bordadas com fios de luz no tecido áspero do cotidiano, em vez do medo, que conta com propagadores demais. Não significa que necessariamente eu esteja nestes lugares toda vez que os propago, mas que acredito neles. Que acredito que prevalecerão, também em mim.
- As nuvens negras cobrem por certo tempo. Mas elas passam rapidinho. E logo o céu volta ao seu estado normal, mostrando então sua beleza. Assim são os desafios, obstáculos e tempestades em nossas vidas. A conquista e a vitória virão – acredite!
quinta-feira, 3 de agosto de 2017
Fios de luz
quarta-feira, 2 de agosto de 2017
Olhar viçoso
A vida pode ficar muito pequena quando olhamos para ela como olhar estreito. O tédio acontece quando nos afastamos da capacidade de nos encantarmos com as coisas mais simples do mundo. Porque para se estar aqui com um pouco que seja de conforto na alma há que se ter riso. Há que se ter fé. Há que se ter a poesia dos afetos. Há que se ter um olhar viçoso. E muita criatividade.
terça-feira, 1 de agosto de 2017
Não faz mal
Não faz mal se nos atrapalhamos nas páginas já viradas, se nos faltou inspiração e criatividade em tantos parágrafos, se escrevemos tantas coisas que, relendo, agora, parecem não ter sentido. O bacana da vida é essa oportunidade preciosa, reinaugurada a cada instante, de recomeçar exatamente do lugar onde estamos.
terça-feira, 13 de junho de 2017
Bodas de abraços
Houve um tempo que pensava que a intensidade era o que bastava. A gente tem essa mania de achar que as coisas devem ser iguais para todos - se vê num livro ou filme achamos que os romances devem ser taxativos ou que devemos seguir certos 'modelos'. Esquece que cada um é cada um, e portando, cada par é único.
Com um tempo percebe que não são as 'visualizações e likes' que dizem que aquele momento foi especial, uma vez que 107 pessoas curtiram! Por vezes, eles nem curtem só por achar que estariam de olho gordo na felicidade do outro.
Bom mesmo é quando nos damos conta de que não é essa intensidade, essa propagação de felicidade, essa vida levada na modinha e exposição que vai dizer que somos felizes. E sim a consistência.
Veja, descubro que o amo toda vez que vai a geladeira tomar água e já vem com um copo para me dá, sem nem eu ter pedido; ou se tu tens um dia maravilhoso e, no fim dele, falo do meu péssimo dia... Mas você nem me conta o quanto o seu foi maravilhoso, apenas escuta o meu; não posso dizer exatamente quando foi que comecei a ama-lo. Porque não foi uma coisa.. foi o acúmulo de todas as pequenas coisas. Como se eu acordasse um dia e pressionasse um botão e descubro: pronto, eu o amo.
Então, não se trata de eventos, intensidade, mas consistência.
A gente só constrói isto quando deixa de lado todas essas coisas fúteis que o mundo nos quer mostrar, nos viciar, igualar, nos aprisionar e ditar o que devemos fazer, como devemos levar a vida, o relacionamento.
Eu só queria dizer, meu amor, obrigada!
Porque você é o companheiro de que me orgulho em dizer que sou feliz e, tenho sido feliz pois sei que o tenho ao meu lado.
Feliz dia 13 , feliz 4.2 (bodas de abraços) sinta-se abraçado nesta manhã de terça-feira e todos os dias em que essa distância nos lembrar que somos bem mais fortes!
Amo você, vida!
sexta-feira, 26 de maio de 2017
Escritos de Ana Jácomo
Nunca lhe falei da minha paixão, mas
ele deve ter ouvido alguns segredos que os meus olhos, traiçoeiros, deixaram
escapar nas raras vezes que permiti tocarem os dele. Deve ter percebido a
palidez que vestia meu rosto ao encontrá-lo. Depois, o rubor. As palavras
trôpegas, desconexas, tentando achar o caminho da lógica. Aquele texto
inadequado para o contexto que a gente diz e depois, ao relembrar, faz um
muxoxo, balança a cabeça aborrecidamente, e diz pra si mesmo: “Ai, meu Deus!…”
Deve ter ouvido o meu riso
desafinado, que em algumas circunstâncias era motivado apenas pelo nervosismo.
O outro falando de uma coisa que não tem graça nenhuma e a gente rindo, sem
poder explicar a aparente esquisitice. Deve ter ouvido a mão gelada que
apertava a dele levemente para não ser desmascarada. E aquele ar meio patético
que as pessoas costumam ter quando se apaixonam. A boca é o que menos fala no
corpo. Imagino que deve ter ouvido algumas dessas vozes que falavam em mim sem
que eu pudesse contê-las.
Mas, ainda que tenha ouvido, não
ouviu tudo. Não soube que eu inventava os pretextos menos criativos para vê-lo.
Que planejava a maioria dos encontros que eu chamava de coincidências. Que
antes de ir até onde ele estava, passava mais perfume que de costume. Mudava, várias
vezes, a roupa, o batom, o humor. Enchia a boca com balas de hortelã. Ficava
incontáveis minutos em frente do espelho, procurando o melhor ângulo, o melhor
sorriso, a melhor expressão de surpresa. Ensaiava, em vão, como agiria quando o
encontrasse: o cumprimento, os gestos, as palavras. Todo um roteiro
meticulosamente estudado para ser traído, em poucos segundos, pela inabilidade
que me dominava ao me flagrar diante dele. Aquele esforço sobre-humano para
aparentar serenidade com uma escola de samba desfilando no coração.
Nunca soube que, depois de
encontrá-lo, relembrava cada detalhe durante todas as horas que antecediam o
próximo encontro. A rota que seus olhos percorreram, cada movimento, cada
vírgula da sua fala, cada nuance de entonação. Era como se eu quisesse
descobrir alguma possibilidade de correspondência. Ainda que pequena. Ainda que
remota. Relembrar também era uma forma de senti-lo perto de mim de novo e de
poder olhar para ele sem reserva, sem cautela, debruçada na janela da minha
imaginação.
Mesmo que tenha suspeitado de que eu
sentia algo, não descobriu tudo. Não descobriu que seu riso era a canção de que
eu mais gostava. Que sussurrava seu nome repetidas vezes, e com tanta
delicadeza, que ele bailava nos meus ouvidos como um poema. Um mantra. Uma
música. Que eu queria conhecer o lugar onde os seus sonhos moravam para poder
acordá-los, vez ou outra, quando adormecessem. Que em alguns momentos, no auge
da minha ilusão, senti vontade de pedir que jogássemos as armas no chão para
que nossas mãos pudessem se encontrar.
Nunca descobriu que escrevi versos que não lhe mostrei e cartas que
jamais entregaria. Que muitas vezes, a pedido do meu coração, liguei apenas
para ouvir sua voz dizer alô e desliguei sem uma única palavra. Que fantasiei
delícias. Que cantei todas as músicas de amor que eu sabia lembrando dele. Que
lembrava ao acordar. Que adormecia lembrando. Que lembrava tanto que achava ter
enlouquecido,
ô troço obsessor essa tal
de paixão! E que, às vezes, lembrar doía, uma dor fina e morna crescendo no
peito, como doem os sonhos que não acontecem e que a gente desconfia que não
vão mais acontecer.
domingo, 14 de maio de 2017
Feliz dia das mães - feliz dia do amor mais puro
Acho que o cheiro de algo ou alguém é
coisa difícil de esquecer. Não estou falando do perfume predileto da pessoa –
falo de momentos e recordações que podem chegar a nós numa rapidez inexplicável! Talvez, tu possas lembrar-se de algo quando toca uma canção ou quando vem a memória
certos acontecimentos, mas o cheiro, ah! A gente sabe o que ele causa em nós.
Tu conheces o cheiro de sua mãe? A
gente sabe que mesmo não estando perto de sua mãe [fisicamente], sabemos
reconhecer e trazer para nós aquele cheiro, talvez que tenha ficado no passado
ou que tu aches que a vida lhe tirou, saiba que ela [a vida] não lhe tira de você, algo
que permanece ou pode estar dentro de ti. A gente sabe que o cheiro de nossa mãe não é uma fragrância
que se encontra no mercado ou na melhor loja de perfumaria, tampouco numa floricultura! Falo do cheiro que ela carrega, aquele que quando conhecemos assim que
chegamos aos braços dela, pela vez primeira.
Sabe alma perfumada? É disso que falo,
e é o que elas têm!
"[...] É cheiro de passarinho quando canta,
de sol quando acorda ou de flor quando ri. Elas têm cheiro de colo de Deus. De
banho de mar quando a água é quente e o céu é azul. Ao lado delas, a gente sabe
que os anjos existem e que alguns são invisíveis. Ao lado delas, a gente se sente
visitando um lugar feito de alegria todos os dias em sua presença! Ao lado
delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso
coração".
É bonito isso de saber guardar os
momentos... a gente nunca sabe quando vai poder viver aqueles instantes de
novo. A minha mãe, por exemplo, fala de minha vó [a mãe dela] com tanta
convicção de que ela nunca se foi, que até eu chego a sentir essa energia! Ela fala de lembranças
boas, de alguns fatos engraçados de sua infância de como ela e seus irmãos
foram criados, com os esforços e toda a dificuldade da época – e todas estas
lembranças vem assim, carregadinhas de brandura e amor. Quisera eu, saber guardar
estes tantos detalhes e saber contar a meus filhos também de como foi minha
criação!
Minha
mãe não é uma pessoa de vícios, tirando o fato de que ela adora comer... posso dizer
que ela também adora ganhar perfumes! Ela usa em todos os momentos – e eu perdi as
contas de quantos ela usa por ano! Enquanto eu estou com um frasco há dois anos,
ela está acabando o que ganhara mês passado! Mas é verdade... risos’
Mas
a gente sabe bem, 'distinguir' estes cheiros, eu aprendi qual o cheiro dela quando
acorda, quando sente calor, quando dorme, quando me dá sua bênção todas as
noites acompanhado de um beijo na bochecha.
Nossa
mãe talvez nunca perca este instinto materno [de quem cuida pra valer], espero que eu herde um bocado disso! Por mais que estejamos crescidos, ela ainda
faz questão de preparar nossas refeições [não estou dizendo que ela põe nosso
prato! Mas se usássemos mamadeira, ela com certeza estará ali para esfriar nosso leite, enquanto nos arrumamos] seria
a mesma coisa se eu dissesse que ela põe o café na xícara para esfriar? :)
Nesse
dia das mães, eu sei o quanto ela gostaria de ter sua mãe por perto!
Não deve ser fácil, conviver com a ideia de não ter
mais aquela em que mais cuidou da gente pertinho de nós! Sei que tem muita gente se perguntando
hoje, por que nossas mães não são eternas? Estão sentindo hoje aquele aperto no
peito – mas sei também que eles são fortes e sabem muito bem lembrar do cheiro
de sua mãe, o qual faz recordar muitas coisas bonitas vividas juntos: os primeiros aprendizados, as primeiras palavras, das cantigas, as brincadeiras, os olhares de aprovação ou não, os ensinamentos de valores etc, tudo que foi absorvido durante a convivência.
“Costumo
dizer que algumas almas são perfumadas, porque acredito que os sentimentos
também têm cheiro e tocam todas as coisas com os seus dedos de energia” e fazem
a gente reviver tudo de mais lindo que conhecemos.
Feliz
dia das mães!
Feliz dia do amor mais puro!
*citações de Ana Jácomo
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