Todo o meu respeito às pessoas que preferem não dizer “feliz Dia da Mulher”.
Há quem entenda que não se trata de comemoração, mas de memória, luta e denúncia de desigualdades que ainda atravessam a vida de tantas mulheres. Essa leitura é legítima.
Mas também confesso que, entre nós, mulheres, desejar um “feliz dia” pode ter outro significado. Não é ingenuidade. É reconhecimento. É afeto. É um gesto de quem sabe exatamente o que a outra enfrenta.
Porque, sejamos honestas: há algo profundamente incoerente quando o desejo de “feliz Dia da Mulher” vem de quem, no cotidiano, não pratica o mínimo de respeito às mulheres. Quando a mensagem é bonita, mas as atitudes continuam reproduzindo silenciamento, desvalorização ou desrespeito.
Talvez por isso muitas mulheres prefiram desejar umas às outras.
Não como exclusão de gêneros — mas como reconhecimento entre quem compartilha experiências semelhantes. Entre quem sabe o peso e a potência de ser mulher em uma sociedade que ainda nos exige provar, todos os dias, nosso valor.
O Dia da Mulher pode ser celebração, reflexão ou denúncia.
Mas, acima de tudo, precisa ser coerência.
Porque mais importante do que dizer “feliz Dia da Mulher” é viver todos os dias com respeito às mulheres.
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