segunda-feira, 24 de agosto de 2026

A camisa da união


Ultimamente, essas duas criaturas têm brigado por tudo.


Pelo brinquedo.

Pelo lugar no sofá.

Por quem chegou primeiro.

Por quem olhou para quem.

E, provavelmente, por questões diplomáticas que nós, adultos, jamais seremos capazes de compreender.


Mas também brincam. Muito.

Inventam mundos, dão gargalhadas, aprontam juntos e, cinco minutos depois de uma discussão digna de audiência de conciliação, já estão inseparáveis novamente.

Hoje surgiu uma nova técnica de resolução de conflitos: a camisa da união.


Brigaram? Ficam juntos.

Literalmente. 


E olhando para essa foto, eu penso que talvez irmãos sejam exatamente isso: duas pessoas aprendendo, desde muito cedo, que é possível amar alguém profundamente e, ao mesmo tempo, ter uma vontade igualmente profunda de mandá-lo para bem longe.


Eles brigam porque estão aprendendo a dividir espaço, atenção, vontades e limites. Mas, no meio desse pequeno caos cotidiano, estão construindo uma relação que é só deles.


Eu sei que ainda teremos muitas discussões pela frente.

Mas espero que, entre uma briga e outra, eles nunca esqueçam aquilo que essa camisa improvisada acabou dizendo tão bem:

vocês podem até querer se soltar de vez em quando… mas é muito bonito vê-los crescendo juntos. 

P.S.: pela expressão dos dois, desconfio que a camisa da união foi considerada uma excelente brincadeira e, portanto, perdeu completamente sua função disciplinar. 

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