sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Pré-entrevista

 Hoje foi dia de pré-entrevista.


E eu estava nervosa.


O que é curioso, porque normalmente eu estou do outro lado. Eu sou boa ouvinte. Gosto de ouvir histórias, fazer perguntas, entender pessoas.


Hoje tinha alguém querendo ouvir a minha.


E ele começou, tranquilamente, como quem não estava prestes a instalar um pequeno caos na minha cabeça:


— Me conte a sua história.


Minha história?


Em poucos milésimos de segundos, meu cérebro abriu umas 47 abas.


De onde eu começo?

Da Assistente Social?

Da mãe?

Da dona de casa?

Da empreendedora?

Da mulher que resolveu voltar para uma sala de aula presencial aos 30 e tantos?

Da que começou a estudar Inteligência Artificial?

Da que várias vezes pensou: “só preciso segurar a peteca”?


Porque falei muito sobre isso hoje: segurar a peteca.


Conciliar filhos, casa, trabalho, empresa, projetos, estudos, prazos… e ainda tentar parecer minimamente funcional. 


Falei da felicidade de estar concluindo o curso.

Dos projetos que construímos.

Dos desafios.

E, principalmente, dessa sensação boa — e um pouco estranha — de olhar para trás e perceber: eu consegui.


No finalzinho veio a famosa pergunta.


— Se você tivesse que resumir em uma frase o que esse curso foi para você, o que diria?


Claro que eu não respondi em uma frase.


Eu contei uma história. 


Contei sobre um episódio em que me senti diminuída e excluída por outra mulher. E talvez o que mais tenha me marcado naquele momento tenha sido justamente a contradição: vinha de alguém que dizia levantar uma bandeira em defesa de mulheres, mas que, naquele instante, usou palavras para diminuir outra.


Aquilo doeu.


Mas também me fez pensar muito sobre pertencimento. Sobre quem acha que pode ocupar determinados espaços. E sobre quem, às vezes, tenta nos convencer de que aquele lugar não é nosso.


Continuei.


Segurei a peteca.


E cheguei até aqui.


Então, depois de contar toda a história que deveria ter cabido em uma frase, finalmente respondi:


Superação.


Foi isso que esse curso representou para mim.


E talvez tenha sido justamente por tudo o que aconteceu no caminho que essa palavra fez tanto sentido hoje.

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