quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

O manual da culpa materna – volume infinito


Se existe um sentimento que acompanha a maternidade desde o primeiro teste positivo, ele se chama culpa. E não é qualquer culpa, é aquela culpa que cresce, se expande, se multiplica e parece ter vida própria. Como essa ilustração brilhantemente representa, a lista de razões para culpar uma mãe é tão extensa que um único volume não dá conta. Na verdade, suspeito que seja uma coleção infinita, sempre com edições revisadas e ampliadas.

A culpa materna começa antes mesmo da criança nascer. Na gravidez, ela já dá os primeiros sinais. Começa com perguntas inocentes que nos fazem perder o sono:


— Estou me alimentando bem?

— Será que esse café vai fazer mal ao bebê?

— Dormi do lado errado?


E então o bebê nasce, e aí a culpa se instala como uma hóspede permanente.

Se você amamenta, sente culpa porque acha que poderia estar fazendo melhor. Se não amamenta, sente culpa porque disseram que "o leite materno é tudo". Se dá colo demais, está mimando. Se coloca no berço, está sendo fria. Se dorme junto, está criando dependência. Se tenta ensinar a dormir sozinho, está sendo insensível.

Cada decisão parece um teste de múltipla escolha, só que todas as alternativas estão erradas aos olhos de alguém.


E aí vem a introdução alimentar.

— Está oferecendo comida orgânica?

— Mas já deu açúcar?

— Deixou a criança explorar os alimentos ou deu na colher?


E assim seguimos, num looping infinito de dúvidas e comparações.

Mas o ápice da culpa materna vem com o tempo. Porque o bebê cresce e, com ele, as novas edições do grande livro da culpa. Agora é a escola, os horários, a rotina. É o equilíbrio entre carreira e maternidade, entre autocuidado e entrega total. Se trabalha muito, sente culpa por não estar presente o suficiente. Se decide ficar mais tempo com os filhos, sente culpa por não estar investindo em si mesma.

E então, numa manhã qualquer, você olha para essa pilha de culpas e percebe: nunca vai dar para ganhar esse jogo. Porque ser mãe não é sobre perfeição. É sobre fazer o melhor que pode com o que tem. É sobre aprender a ignorar os palpites não solicitados, sobre escolher o que realmente importa e aceitar que errar faz parte do processo.

A verdade é que esse livro da culpa materna só existe porque nós mesmas nos cobramos demais. A sociedade também faz sua parte, claro, mas somos nós que precisamos nos libertar dessa necessidade de atender a todas as expectativas.

Então, que tal começar a reescrever essa história? Ao invés de carregar essa enciclopédia da culpa, podemos criar um livro de conquistas maternas. Um livro que celebre os pequenos e grandes acertos, que reconheça o esforço, que nos lembre de que estamos fazendo um trabalho incrível — mesmo nos dias de cansaço, de fast food improvisado e de histórias para dormir contadas com a voz falhando.

Porque, no fim das contas, a única coisa que nossos filhos realmente precisam é de uma mãe que os ame. E isso, sem dúvida, nós sabemos fazer muito bem.


O seu melhor não é o mesmo todos os dias. E tá tudo bem!


E tá tudo bem!


Tem dias em que você acorda cedo, faz um café saudável, responde mensagens no horário, entrega tudo antes do prazo e ainda sobra energia para uma caminhada no fim da tarde.

E tem dias em que levantar da cama já é uma vitória. O café fica frio, os prazos correm atrás de você, e a única caminhada do dia é até a geladeira.

Mas sabe o que é curioso? Em ambos os dias, você deu o seu melhor.

Porque o melhor não é um padrão fixo, não é sempre sobre alta performance, disposição infinita ou produtividade absurda. O seu melhor de hoje pode ser criar algo incrível, e o de amanhã pode ser simplesmente sobreviver ao dia.

Então, seja gentil consigo mesmo. Nem sempre dá para ser extraordinário. E tudo bem. Você não precisa vencer o mundo todos os dias. Às vezes, só não perder para ele já é suficiente.


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

A evolução silenciosa


Esta crônica nasceu de uma reflexão inspirada em uma animação viral que circulou nas redes sociais.


A partir daqui leia o resumo 

A história de uma mulher e sua evolução após o casamento levanta uma questão inquietante: essa mudança é uma escolha genuína ou um roteiro já traçado pela cultura em que vivemos? O casamento a faz regredir ou é a própria sociedade que redefine seu papel de forma limitante?

Até que ponto as mulheres têm liberdade para evoluir sem serem enquadradas em expectativas pré-estabelecidas?

Em uma análise que combina teoria feminista e crítica social, exploro como a sociedade frequentemente impõe limites às mulheres, mas também como, mesmo nesse contexto, cada uma tem o poder de redefinir seu próprio caminho.

Em uma sociedade que historicamente não ofereceu as mesmas oportunidades ao gênero feminino, o casamento muitas vezes é visto como um ponto de estagnação para a mulher. No entanto, essa visão ignora a complexidade da evolução pessoal.

A mulher, ao se casar, não se torna automaticamente uma figura domesticada.

Pelo contrário, ela pode continuar a crescer, evoluir e redefinir seu papel na sociedade. A crítica, então, deveria se voltar à estrutura que limita, e não à mulher que, ao casar, escolhe ou é condicionada a seguir um caminho específico.

A verdadeira evolução está em permitir que cada mulher escolha seu próprio caminho, sem que a sociedade imponha limites ou expectativas.



A partir daqui leia na íntegra 


Desde pequenas, as meninas aprendem que há um caminho seguro a seguir. Brincam de casinha, cuidam de bonecas, ouvem histórias de princesas que encontram no casamento o desfecho de suas jornadas. O “felizes para sempre” quase sempre vem atrelado ao matrimônio, como se a linha de chegada da vida estivesse nessa união. Mas e depois? O que acontece com essa mulher que antes era cheia de sonhos, ambições e desejos próprios?

Para algumas, o casamento é, de fato, uma escolha. Uma decisão consciente de dividir a vida com alguém, de construir uma história compartilhada. Mas, para muitas outras, essa não é exatamente uma escolha no sentido pleno da palavra. É uma trilha já desenhada, um destino quase inevitável, uma imposição sutil que surge em perguntas do tipo: “E os namoradinhos?” na infância, “Vai casar quando?” na juventude, e “E os filhos?” logo depois. Como se seguir esse percurso fosse mais do que esperado — fosse uma obrigação natural.

E é aqui que surge a reflexão: essa mulher mudou porque quis, ou porque esperavam que ela mudasse? Seu casamento a levou à evolução, ou a colocou em um lugar de invisibilidade? Quantas mulheres já ouviram frases como “Depois que casou, sumiu!”, como se sua identidade tivesse sido engolida pelo novo papel de esposa e, mais tarde, de mãe?

A sociedade cobra um preço alto da mulher casada. Aplaude sua dedicação ao lar, mas questiona sua ausência no mercado de trabalho. Exalta sua maternidade, mas a condena caso queira manter sua independência. Se ela opta por não casar, por não ter filhos, recebe olhares de reprovação. Se decide seguir o caminho esperado, muitas vezes se vê aprisionada em um papel que não escolheu por completo.

O casamento deveria ser uma decisão de liberdade, e não uma sentença velada de abnegação. Algumas mulheres casadas encontram novas formas de crescer, reinventam suas vidas dentro dessa estrutura e constroem um espaço de realização pessoal ao lado de seus parceiros. Outras, no entanto, percebem que sua identidade foi diluída em meio a tantas expectativas alheias.

Mas será que a sociedade estaria pronta para permitir que cada mulher escolhesse seu caminho sem rótulos e julgamentos? Será que a evolução da mulher é realmente aceita quando ela foge dos padrões esperados? Ou continuamos, de forma sutil, direcionando suas escolhas antes mesmo que ela perceba?

A resposta para essas perguntas talvez não seja simples. Mas uma coisa é certa: a verdadeira evolução de uma mulher não está no casamento ou na solteirice, na maternidade ou na carreira. Está na liberdade de escolha. Na possibilidade de decidir sem culpa, sem pressões e sem amarras invisíveis. Afinal, evolução não é seguir um caminho já trilhado — é ter a chance de traçar o próprio.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Catarina, 10 anos de sonhos

Hoje é dia de festa, de bolo, de velas acesas e desejos soprados ao vento. Hoje Catarina faz 10 anos. Dez! Como o tempo ousa passa tão rápido?

Desde que chegou, trouxe um brilho especial, aquela mistura encantadora de inteligência e imaginação sem limites. Sempre foi astuto, esperado demais para a idade. Quando conversamos, às vezes até esqueço que ainda nem é adolescente — tão cheia de ideias, tão dona de si.


Catarina lê. E quem lê, sonha. E quem sonha, voa. Ela devora histórias como se fossem segredos escondidos em páginas, criando mundos onde tudo é possível. Sempre que tenho um texto de aventura para mostrar, sei exatamente para quem enviar: para o céu de titia , minha Catarina.

Hoje, ao completar 10 anos, ela não é mais aquela menininha pequena, mas também não é ainda a jovem que logo será. Está nesse meio do caminho bonito, onde a infância ainda colore os dias, mas uma curiosidade já a leva para longe. E eu a observo, cheia de orgulho, sabendo que o mundo é pequeno demais para o tamanho dos sonhos que ela tem.

Feliz aniversário, minha primeira sobrinha menina! Que a vida continue sendo esse livro incrível que você lê com tanta excitação. E que, entre páginas e aventuras, você nunca deixe de sonhar. Titia te ama!