sábado, 31 de março de 2012

Sus ojos, mis ojos


Então ela disse: “quer trocar seus olhos com os meus?”

Simplesmente há coisas que queria vê-lo fazendo. Tudo bem que poderia até estar sendo injusta comigo. Mas há vezes que penso que talvez ele fosse mais feliz se pudesse ver melhor. É claro que esta percepção ele perdera aos poucos, mas antes havia coisas que ele não pudera fazer, e agora, agora ele pode. Mas não deve. Não deve porque não consegue. Simplesmente porque não há mais perfeição em seus olhos. Em sua visão.
Fico às vezes pensando em como seria bom pra ele fazer o que sempre quis, puder dirigir, puder ir além de seus limites. Eu sei que não vi o bastante como ele já vira, mas poderia suportar tudo que ele vive agora, só para vê-lo em minha frente e feliz com uma nova visão. Porque sei também que a mais linda visão não é aquela visível aos olhos. E sim, aquelas as quais muitas vezes não podemos enxergar.
Conheço os sonhos do meu pai, sei que ele crê que um dia pode ter sua visão de volta. Perfeita, sem manchas em raio-X, sem que possua impossibilidade de puder enxergar as coisas ao redor. Sem exames anuais para ver se houve agravamentos.
Só queria que ele pudesse tê-la de volta.
Quando eu perguntei se ele queria meus olhos, vi em seu semblante, um olhar que nunca...
Ah, foi como se nada pedisse. E então ele só sorriu. Mas foi um sorriso que não lembro bem, mas talvez o sorriso que dera quando pronunciei pela primeira vez: “papai”.
Fiquei sem chão. Sem ar. Sem sentido. Só queria dar-lhe um abraço. Senti um conforto tão imenso e tão bom.

Ele acredita em milagres. Eu também creio. E a prece, no mais íntimo dele é: “Deus Meu, dá-me forças para acreditar no milagre. Todos os dias, cada vez mais.” (A minha também).

quinta-feira, 22 de março de 2012

Perto de Deus




Você já parou para admirar o incrível e interminável trabalho de uma simples formiga?

Você já parou espantado e tentou compreender a beleza admirável de uma casa de abelhas?
Você já parou e procurou acompanhar a extraordinária velocidade e maravilha que é um vôo de um beija-flor?
Você já parou, sentado no chão, e ofereceu suas mãos para seu cão lamber?
Você já parou e sentiu o perfume humilde das flores?
Você já parou e se dispôs mansamente a escutar o barulho eterno das ondas do mar?
Você já parou e sentiu em seus lábios o mesmo sorriso que você viu naquela criança?
Você já parou e sentiu derramar em seu rosto as mesmas lagrimas que você viu descerem tristes pela face enrugada daquele pobre velhinho?

Se você já sentiu tudo isso, se você conseguiu compreender e observar tudo isso, com certeza você chegou bem perto de Deus.



terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Desistir? Never!



É. Talvez o que sonhamos e desejamos possa ser o que mais nos preocupa.
Não diria que fora uma derrota, assim como me disse um amigo, “perdestes a batalha e não a guerra”. A tristeza veio, sim porque faz parte e também necessário, ela entra e te corrói; Porque foram anos de dedicação e de pensamentos soltos e livres dentro de uma mente que só pensava em uma coisa: não decepcionar-se.
Hoje noto e compreendo que não adianta pensar deste modo, porque a seqüela não será tão dura assim, quando temos em mente a consciência de que nada é em vão, nada fora em vão. E principalmente quando temos ao nosso derredor pessoas que te apóia e está sempre com você, não importa o que aconteça. Não implico tanto assim com minhas escolhas, porque elas foram as que mais sonhei; não quero estar infeliz agora pelo que acontecera.
A guerra ainda não acaba assim, além do mais, o que somos e fizemos o que seremos e faremos será  implicação de nossos atos, a confiança e a fé. De cabeça sempre erguida e os pés no chão - voltarei a sonhar mais uma vez e com a certeza de que sempre, mas sempre nunca estou só.
Afinal, atrás das nuvens há sempre um céu azul.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

“ É só você olhar no meu olhar... (8)”

"Olhai os lírios do campo, que não fiam nem tecem" (Jesus Cristo)

Sabe quando falta uma palavra para definir o que sentimos? Sabe quando o que você sente é tão grande, tão inusitado, que não há força em nenhuma poesia ou palavreado. E essa palavra que falta que se cala na garganta, só pode ser expressa pelos sentimentos, falar não adianta. Quem sabe com o brilho desse olhar. As palavras mentem, mas o olhar jamais…
O falar deve ser reservado para expressar alegria, para aquele bate papo gostoso com as pessoas queridas, o falar é a expressão do que vai ao seu intimo, por isso, deve ser estudado, pois aquilo que é falado, não pode ser apagado. Sem procurar uma lembrança de qualquer coisa que nos tenha falado, logo aparecerão muitas e muitas dessas lembranças. Sim, porque tudo está guardado em nossas memórias. Mas o olhar ele pode ser acionado a qualquer momento, seja um olhar triste, de alegria, de espanto, de plena felicidade, ou ainda um olhar de espera.
Há uma frase que diz: “as mais belas frases de amor, são ditas no silêncio de um olhar”. É quase meio romântico dizer assim, ou é demais! Mas parece que o sentido do olhar foi perdido. Prefiro acreditar que não fora.
Não é ilusão nossa dizer que os olhares podem voltar a ser o foco de uma lembrança, porque haverá sempre um olhar a seu lado. Seja um olhar amável ou não. E deveremos, portanto, ser capazes de identificá-lo. Porque podemos salvar o dia de uma pessoa com um simples olhar que jamais poderá apagar-se.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O que é "belo" para mim

           É estranho mais o céu aqui não é o mesmo para mim. Não há estrelas que possam confortar-me ou que me encante. Ao entardecer, ele está sempre sem vida, cores nebulosas; ah e a lua, não consigo vê-la.

          Talvez seja por isso que as pessoas andam tão sem sorriso, com semblante de desolação e... Quando procurei o que eu precisava eu fiquei bem melhor. Fui à praia, vi o mar, vi o céu, apesar de um pouco nublado, consegui ver a lua também.

         Talvez a cidade grande só lhe sirva quando precisamos crescer. Mas o que adianta se crescermos sem vermos as coisas belas? É claro que, o conceito de “belo” diverge para cada um. Enfim, ela lhe serve para sermos sozinhos, às vezes acompanhados de pessoas que não lhe verá ou lhe acompanhará todos os dias, que lhe trará saudades de muitos que passaram por você.

         A vida na cidade grande faz sentimentos desumanos e absurdos irem aos poucos se incorporando à cultura, e virarem características corriqueiras do povo. Um mendigo jogado no meio da rua, gritando de dor, não é mais motivo para que os pedestres interrompam suas caminhadas, ou se preocupem. As pessoas parecem estar cegas umas em relação às outras no meio de tanta correria.

        E correndo para quê? Para trabalhar, para chegar mais cedo ao destino, para chegar... Simplesmente chegar...

       Deveríamos estar correndo é para lembrarmos dos princípios e valores básicos, dos sentimentos verdadeiros, dos bons constumes, ou de contemplarmos o belo nas pequenas coisas, que deixamos a cidade grande engolir. E para resgatar alguma Utopia coletiva.