Cuida bem. Observa os detalhes. Olhe nos olhos. Tente reparar no que ninguém repara. Ouça. Seja sincero. Amor se constrói na simplicidade.
- As nuvens negras cobrem por certo tempo. Mas elas passam rapidinho. E logo o céu volta ao seu estado normal, mostrando então sua beleza. Assim são os desafios, obstáculos e tempestades em nossas vidas. A conquista e a vitória virão – acredite!
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
domingo, 15 de dezembro de 2013
sábado, 7 de dezembro de 2013
sábado, 23 de novembro de 2013
Uma prova de amor - filme. Resenha
CASSAVETES,
Nick. Uma Prova de Amor. EUA, 2009.
Tendo como título original do filme Uma Prova de Amor, “My Sister's
Keeper”, produzido no ano de 2009, pelo diretor Nick Cassavetes e
elenco: Cameron Diaz (Sara Fitzgerald), Abigail Breslin (Anna Fitzgerald), Sofia
Vassilieva (Kate Fitzgerald), Jason Patric (Brian Fitzgerald), Alec Baldwin
(Campbell Alexander), Joan Cusack (Joan De Salvo), Evan Ellingson (Jesse
Fitzgerald), Thomas Dekker (Taylor Ambrose). O roteiro feito por Jeremy Leven
foi baseado no romance de Jodi Picoult.
O drama é capaz de envolver qualquer ser, seja ele o mais “gélido”.
Quando passamos a nos envolver, é como se estivéssemos naquela trama desde o
inicio até o final, que para muitos pode até trazer um final triste, porque há
o que não se espera – a morte. Mas visto por outros olhos, há sim um final
feliz. Há a mudança, aprendizagem, significados essenciais na convivência de
uma família que enfrenta problemas, e por fim a amostra de um amor
incondicional.
Uma Prova de Amor retrata a história comovente de uma garota, que já
cansada de tanto sofrimento, tantas cirurgias e remédios, além da culpa de
penalizar sua irmã desde o inicio de sua vida, por salvá-la sempre, doando o
que ela necessitasse. Anna demonstra todo seu afeto por sua irmã, que apesar de
tudo, poucas vezes mostrou-se frágil. Ao fazer o que ela pede, desafiando toda
a sua família, Anna segue em um processo de emancipação médica, reivindicando
que não quer mais “tirar” parte do seu corpo, quer ter direitos sobre ele, pois
há anos passara por inúmeras cirurgias, muitas vezes de risco. No início do
filme, a primeira imagem que vemos em Anna é de egoísmo, no entanto, chega um
momento, e com o desenrolar da história, e as narrações feitas pelos irmãos, percebe-se
que tudo já fora combinado entre eles. O filme é explanado por vários
narradores, o que envolve todo “eu” da família, Pai, Mãe e filhos, contam a transação
aos seus olhos, demonstrando seus problemas, sentimentos, e vivência em
família.
Jesse, um garoto que desde
criança é desatento, tem dislexia e seus pais não o deram a devida atenção.
Porque desde criança, sua irmã passa a tomar toda a atenção de seus pais, com a
descoberta da doença. Teria sofrido mais ainda, se seu corpo fosse compatível
com o de Kate, para tantas cirurgias que esta, durante toda a sua vida fora
submetida. Entretanto a ideia veio do médico de Kate, quando mostra uma maneira
que não é correta médico-jurídico, mas fora feito. Um bebê projetado, com toda
sua genética compatível com a de Kate. E foi a decisão da família. Tiveram mais
um filho, Anna. Uma garota perfeita, que veio com o intuito de doar-se a sua
irmã – uma irmã predestinada a ter poucos anos de vida. Anna nunca aceitaria
numa boa a fantasia de sua irmã, se não estivesse sido obrigada. Kate só
alegava que não queria mais preocupar a família, e que seus irmãos também
mereciam atenção. Ela queria somente da liberdade a todos como prova de
agradecimento e acima de tudo, amor. O que é demostrado nas cenas em que ela
quando narrando um pouco da história, retratara todo seu olhar em relação a sua
família nos últimos anos. Seus pais não se amavam tanto quanto antes, Jesse
nunca tivera atenção, e Anna que posta como um refúgio para toda sua família,
já que poderia dar a vida novamente a sua irmã; como dissera o médico quando o
perguntou qual a vantagem que Anna recebera durante todos esses anos: “ela pode
salvar a vida de sua irmã”. E assim se fez, desde seu nascimento.
Kate, não suportou mais. Diante
de todo o sofrimento e acima de tudo com esperanças de encontrar Taylor, onde
ele estivesse. Kate conheceu Taylor na sala de um hospital. Taylor foi seu
único amor; em um simples olhar puderam viver e delinear todos os momentos de
intensos carinhos. Tudo começou com um ingênuo “Oi” em um cenário nada
brilhante, mas que para eles aquilo não importava no momento. Kate nada
confiante sorriu mesmo assim. E esperou para que ele a ligasse. Ai dele se não
ligasse. Não obstante, lá fora mesmo, ele ligou. A partir dali viveram momentos
que só eles saberiam onde terminaria. Na narração feita por Sara, sua mãe, afirma
que Taylor foi a sua “melhor droga”. Isso basta para entendermos o quanto ela
foi feliz ao lado de Taylor. Apesar disso, ele teve que ir. O filme não deixa
claro, contudo era o que já ponderávamos, Taylor teria falecido. Kate então
advém a desistir de tudo.
Uma Prova de Amor é
categoricamente um filme para pessoas interessadas e arranjadas a viverem agudas
emoções. Acima de tudo, a produção é para aqueles que creem que família é mais
que um amontoado de gente que por um acaso compartilham de uma mesma carcaça de
código genético.
Não é fato que para muitos o
câncer não pode ser curado. Mas há chances de haver milagres. Kate viveu muitos
anos e para a medicina ela era um milagre. Não é coincidência, todavia muitos
filmes mostra este mesmo trama, doenças que dilacera uma família, mas que nunca
poderá romper laços. Foi assim em “Um Amor pra Recordar”, em “O Óleo de
Lorenzo”, entre outros. É possível acontecer o milagre, entretanto, é
lamentável que haja poucos filmes que mostram fatos assim.
Na esperança de uma cirurgia com
sucesso, sua mãe Sara vai até o fim no tribunal. Volta a exercer sua profissão,
que deixara quando descoberto a doença de Kate, e acredita que Anna doará seu
rim, mesmo pedindo emancipação médica. Anna até doaria, se não estivesse feito
o pacto com seus irmãos, de manterem segredo sobre o pedido de Kate. No
entanto, seguiram mesmo assim. Anna sem proposito algum, mas demostrando seu
amor à irmã, e acreditando que um dia voltará a vê-la novamente, como disse
Kate: “quando não souber para onde ir, procure-me na Montana, estarei lá".
O julgamento continua, e com todas as perguntas feitas a Anna por sua própria
irmã, Jesse revela porque tudo aquilo estava acontecendo. Expõe para todos que
fora Kate que estimulara tudo aquilo. Sua mãe mesmo assim não percebe que,
quando Jesse fala que Kate já havia perdido sua resistência, ela nunca a
escutava – “a amava tanto, que não queria aceitar”.
Kate não resistiu, entretanto
não foi à cirurgia, nem mesmo suas forças acabara. Ela apenas partiu. Como todo
ser que um dia é acometido a uma doença ou a causas naturais e que poderia
perecer a qualquer momento, devido a fragilidades de suas células. Como já mencionado,
Kate já era considerada um milagre por viver por tanto tempo.
O filme mostra um drama bem
elaborado, cenas comoventes e acima de tudo com um roteiro comum a filmes
reflexivos, em que as cenas são postas no presente levando ao passado,
deixando-nos mais envolvidos ainda com a problemática. Uma Prova de Amor é mais
que um simples filme em que diferente de outros, deixa transparecer afetos que
uma família não pode nunca deixar apagar-se. Apesar de perderem um membro da
família, eles passaram a amar-se ainda mais, voltaram a viver. Sara volta a
trabalhar, Jesse começa a estudar novamente, e Anna cada vez mais conectada a
sua irmã. Afinal ela não deixa imprecisões sobre sua afeição pela irmã. E isso nos leva ao questionamento: até que
ponto vale a luta e o sacrifício quando se sabe que já não adiantará nada? E
que decisão tomaria no lugar de Anna?
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
Relacionamento perfeito - Lya Luft
O assunto pode ser
dramático ou engraçado, tão humano e tão difícil de entender. A mim, sempre buscando explicações e significados porque tão pouco
entendo, me ocorre falar ou escrever exatamente sobre aquilo que menos sei.
Trabalho interminável, espécie de suplício de Sísifo: o pobre todo dia
empurrando montanha acima uma grande pedra que voltava a rolar pela encosta, a
fim de que o torturado recomeçasse mais uma vez. Querer alcançar o significado das coisas, da vida, das gentes, de seus
relacionamentos e desencontros, é um pouco assim. Seguidamente me indagam – ou tento imaginar – o que seria um
relacionamento perfeito. Eu ai escrever “casamento”, mas preferi a outra
palavra, porque ela não tem nada a ver com cartório e burocracia, opressão ou
coerção social e familiar: tem a ver com querer se ligar a alguém, e querer continuar
ligado. Cada dia, ao acordar, fazer de novo a escolha: eu quero mesmo
é você comigo. Mas “perfeito! É uma palavra
tola: perfeição, só no céu de todas as utopias. Aqui, nesta nossa terra nada
utópica, perfeição me parece um pouco entediante: como, nada a reclamar, tudo
assim direitinho? Olho pela janela e bocejo:
muito sem graça, a tal perfeição. O céu com anjos tocando harpa pelo tempo sem
tempo me deixava pasmada já na infância. Nada mais? Nem uma brincadeira
proibida, um escorregão nas nuvens, uma risada na hora do sagrado
silêncio...nem uma transgressãozinha na ordem celestial? Minha alma indisciplinada não encontraria alimento nem estímulo, e ia-se
desfazer em fiapo de nuvem embaixo de algum armário onde se guardassem os
relâmpagos e os trovões, e todas as duras sentenças. Então, relacionamento perfeito, nem pensar. Mas uma ligação de cumplicidade e ternura, de sensualidade e mistério, ah,
essa eu acho que pode existir. Como todos os contratos (não falo de papel mas
de corpo, coração e mente), esse precisa ser renovado de vez em quando: a gente
tira o contrato da gaveta da alma, e discute. Briga talvez, chora, reclama, mas
ainda ama, ainda deseja. Ainda quer o abraço, o passo no corredor, o corpo na
cama, o olhar atento por cima da xícara de café...quer até a desorganização e a
ruptura, para depois de novo o que é bom se reconstruir. Que seja vital: isso me parece uma boa parceria. Que seja dinâmica, seja
lá o que isso significa em cada caso. Pelo menos, não acomodada, mas muito
aconchegante. Que seja sensual e amiga, essa
ligação: se não gosto do outro como ser humano, com seus defeitos, sua
generosidade e egoísmo, força e fragilidade, se não o quereria como
amigo...como então, mesmo com tempero do desejo, posso me relacionar com ele
para uma vida a dois? O tema é quase infinito: pois
cada caso é um caso, assim como cada casal é um casal, e cada fase da vida do
indivíduo ou dois é diferente. O bom é quando esta constante
transformação se faz para maior cumplicidade, e não mais distanciamento. Que um relacionamento não seja prisão: que não seja enfermaria nem muleta;
mas que seja vida, crescimento (turbulências eventuais incluídas.) Que seja libertação e ajuda mútua; não fiscalização e condenação, a
sentença pronunciada numa frase gélida ou num olhar acusador, ar de reprovação
ou lamúria explícita. Que seja cumplicidade, porque
a vida já é difícil sem afetos. O som dos passos no corredor pode ser um
conforto inacreditável, o corpo ao lado na cama uma âncora para a alma aflita.
O entendimento recíproco é um oásis no isolamento desta nossa vida pressionada
por tempo, dinheiro, regras, mil solicitações de família, grupo social,
realidade do mundo. Que seja presença e companhia,
o relacionamento bom: pois a solidão é um campo demasiado vasto para ser
atravessado a sós.
Lya Luft
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