segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

O aniversário da minha nova coluna

Assim como a folha encontra força no vento para seguir sem caminho, você também é capaz de enfrentar e superar seus limites. A cada passo, você cultiva o auto cuidado e descobre que sua força não tem fim.  


Todo mundo carrega histórias. Algumas ficam guardadas em álbuns de fotos, outras em cicatrizes que o corpo e a vida nos deixam. A minha, marcada por uma cirurgia de hérnia de disco, é daquelas que carrego como um lembrete constante: sobreviver não era opcional, era uma necessidade.

Lembro-me da dor, intensa e constante. Não era apenas física, mas também emocional, cansativa, quase esmagadora. Passei por oito meses de luta: fisioterapia, remédios e até um procedimento que, no final, não valeu a pena. E, em meio a tudo isso, eu pensava na minha mãe, que também enfrentou a mesma batalha. Na força dela, encontrei parte da minha própria coragem.

Quando a cirurgia chegou, veio com ela o medo. Medo de que algo desse errado, medo do desconhecido, medo das limitações que poderiam ficar. Mas enfrentei. Enfrentei o medo, enfrentei as dores e, principalmente, resisti ao negativismo que, por vezes, chegava pelas palavras de quem deveria apoiar. Foi preciso fechar os ouvidos para críticas e abrir o coração para a esperança.

Hoje, ainda sinto dores. Ainda há limitações. Não é perfeito, mas é minha vitória. Estou aqui para contar que, apesar dos obstáculos, segui em frente. A cicatriz que ficou não é um lembrete de fraqueza, mas de superação. Ela me diz que resistir valeu a pena, que lutar vale a pena, mesmo quando tudo parece incerto.

A cada dia, continuo me cuidando e me fortalecendo. Sou grata por ter enfrentado esse processo, por não ter desistido, por ter escolhido lutar. E, quando olho para os meus filhos, entendo que minha força não era só minha — era também deles. Porque resistir não era apenas uma escolha pessoal, mas uma necessidade para continuar sendo mãe, exemplo, porto seguro.

Neste aniversário da minha cirurgia, celebro mais do que a vitória sobre a dor. Celebro a coragem de encarar o que parecia impossível, a força que encontrei em mim mesma e a certeza de que, por mais difícil que seja, sempre há como seguir em frente. Um passo de cada vez. Um dia de cada vez. Sempre com fé e resiliência.


quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Onde fazemos a diferença?

 


Perspectivas. Essa é a palavra que tem me rondado nos últimos dias. Afinal, o que realmente queremos? Alguns sonham com um título a mais, algo que lhes traga, ao final do mês, um pouco mais de conforto. E tudo bem. Há algo de justo e necessário em buscar estabilidade. Mas e além disso? Onde está a diferença que queremos fazer?

No trabalho, nas conversas que temos, nos projetos que escolhemos investir nosso tempo... Estamos realmente deixando uma marca ou apenas cumprindo expectativas?

Há quem pense que fazer a diferença exige grandes gestos, revoluções inteiras. Mas, às vezes, ela está no detalhe. No cuidado ao explicar algo a um colega, no empenho em ouvir mais do que falar, em transformar pequenas ideias em algo significativo para alguém.

Na vida pessoal, a perspectiva é ainda mais complexa. O que realmente queremos? Ser reconhecidos? Amados? Sentir que pertencemos? Ou será que buscamos, no fundo, a sensação de que estamos construindo algo maior do que nós mesmos? Talvez o verdadeiro desafio seja equilibrar essas vontades. Não é fácil.


Quando olho para meus projetos, me pergunto: eles me movem? Me desafiam? Me permitem criar algo que faça sentido, seja para mim, seja para os outros? A resposta, às vezes, é incômoda. Nem sempre estamos no lugar onde queremos estar. Nem sempre fazemos o que gostaríamos de fazer.

Mas aqui está a beleza: sempre há tempo para mudar. A diferença começa quando olhamos para dentro e decidimos, de maneira honesta, qual é o nosso propósito. Ele não precisa ser grandioso aos olhos do mundo. Basta que seja genuíno para nós.

Seja na profissão ou na vida pessoal, a diferença que fazemos está nas escolhas que fazemos. Nas pessoas que tocamos. Nas histórias que ajudamos a construir. E, no final, talvez a pergunta mais importante não seja o que queremos alcançar?, mas quem queremos nos tornar?

A vida é sobre perspectivas, sobre enxergar possibilidades onde outros só veem obstáculos. E a diferença que queremos fazer — seja ela grande ou pequena — começa quando decidimos que nossa presença no mundo precisa ser intencional. Afinal, não importa o lugar onde estamos. O que importa é o impacto que deixamos.


sábado, 11 de janeiro de 2025

“Não querer caber, liberta” – Um Diálogo Interno

 


— O que significa “não querer caber, liberta”?

Significa abandonar a necessidade de se moldar às expectativas alheias. É entender que não precisamos ser menores para agradar, não precisamos nos encaixar em padrões que não foram feitos por nós ou para nós. É o início de um voo, o rompimento de correntes invisíveis.


— Mas por que sentimos tanta necessidade de caber?

Porque fomos ensinadas assim. Como mulheres, crescemos ouvindo que devemos ser agradáveis, dóceis, discretas. Que devemos caber nos papéis que nos são impostos: a filha perfeita, a mãe incansável, a profissional exemplar, a amiga disponível. Aprendemos a nos diminuir para que os outros se sintam confortáveis.


— E o que acontece quando decidimos não caber?

Liberdade. A vida ganha cores que antes estavam apagadas. Passamos a ouvir nossa própria voz e a respeitá-la. É assustador no começo, claro, porque nem todos vão aceitar essa mudança. Mas é também libertador. De repente, percebemos que somos imparáveis, resilientes, e que nossa força está em sermos quem realmente somos.


— Não caber cansa?

Sim, às vezes. Ser mulher e não aceitar os limites impostos exige energia, coragem, e, muitas vezes, solidão. Mas cansa ainda mais viver tentando caber. O peso de ser quem não somos é maior do que o esforço de sermos autênticas.


— Como conciliar isso com o fato de que somos tantas coisas ao mesmo tempo?

A chave está em acolher todas as nossas facetas. Somos imparáveis, mas também humanas. Temos dias de força e dias de pausa. Não saber parar faz parte da nossa essência, mas precisamos lembrar que descansar também é uma forma de resistência. Ser resiliente não significa ser invulnerável, mas sim saber se refazer, se adaptar, se transformar.


— E se o mundo não gostar de quem nos tornamos?

Que assim seja. Não estamos aqui para caber nos moldes do mundo, mas para criar o nosso espaço, do nosso jeito. Quando paramos de nos preocupar em agradar, começamos a atrair quem realmente nos entende, quem respeita nossa liberdade e nossa autenticidade.


“Não querer caber, liberta.” E, ao nos libertarmos, descobrimos que somos muito maiores do que imaginávamos. Não fomos feitas para caber. Fomos feitas para transbordar.


sábado, 4 de janeiro de 2025

Limonadas e expectativas

 

Hoje parei para refletir. Sabe aqueles dias em que o coração está pesado e as dúvidas aparecem entre uma tarefa e outra? Pois é. Fazia tempo que não precisava fazer tantas limonadas com os limões que a vida jogou.

Teve de tudo: frustrações com pessoas próximas, projetos que não alavancaram, expectativas quebradas. É engraçado, ou talvez irônico, perceber que, muitas vezes, quem está mais perto é quem menos enxerga o que você tem a oferecer. São eles, aqueles que conhecem sua história, que deveriam ser os primeiros a valorizar seu trabalho, sua criatividade, seu talento. Mas, por algum motivo, não são.

A gente cria essas pequenas ilusões, não é? Acredita que aquela pessoa vai lembrar de você na hora de uma oportunidade, que vai te procurar, que vai reconhecer o que você tem de especial. E aí vem a realidade, como quem puxa o tapete, e a gente percebe que não é bem assim. Não por maldade, talvez, mas porque as pessoas nem sempre veem o que está tão evidente para nós.

Mas sabe o que me conforta? É que as frustrações ensinam. Não sobre os outros, mas sobre nós mesmos. Aprendemos a calibrar expectativas, a não depender da validação alheia, e, principalmente, a seguir em frente. Porque, no fundo, cada decepção com um amigo ou com um projeto que não deu certo abre espaço para novas possibilidades.

Amizades, trabalho, projetos... Tudo isso é feito de ciclos. Alguns se encerram, outros começam, e o mais importante é manter a essência intacta. Continuar sendo criativa, continuar acreditando no que você faz, mesmo que os outros não vejam. Porque, às vezes, é naqueles momentos de maior frustração que a gente cria as melhores ideias, transforma limões em limonadas que, lá na frente, vão adoçar não só o nosso dia, mas o de muitos outros.

Então, hoje decidi que não vou guardar mágoas. Vou guardar aprendizado. Vou abrir espaço para as pessoas e os projetos certos, aqueles que chegam para somar, que fazem sentido. E, enquanto isso, vou continuar criando, inventando e acreditando. Porque, no final das contas, quem faz a melhor limonada somos nós mesmos.